Se sentarmos para conversar com as pessoas mais velhas que tiveram sua trajetória escolar há mais de 40 anos e compararmos com as trajetórias de seus netos e bisnetos, perceberemos de pronto que uma coisa não mudou: trata-se da existência da lição de casa.
Mas, qual a importância dessa prática tão disseminada no mundo todo e aparentemente tão natural quando pensamos no processo de escolarização?
Na atualidade, a escola, as famílias e o próprio processo educativo vivenciam mudanças sociais intensas: a ampliação da carga horária que crianças e adolescentes passam na escola, o aumento das demandas no trabalho dos pais e o advento de novas tecnologias que adentrou de vez os espaços escolares.
Como, em meio a um cenário tão hostil e de mudanças tão intensas, conciliar quais são as demandas e as responsabilidades e os diferentes papeis da escola e das famílias no que diz respeito ao processo de aprendizagem das crianças?
Nesse cenário que descrevemos não é incomum pais discutirem e colocar em xeque a importância da lição de casa, alegando trabalharem demais e não possuir tempo suficiente para acompanhar o cotidiano escolar de seus filhos, atribuir à escola toda a responsabilidade pelo processo de educação de suas crianças e eximirem-se da responsabilidade e da parceria que deve representar a educação de uma criança ou adolescente.
Uma das saídas para se evitar esse clima de tensão e o embate nada produtivo e positivo para o desenvolvimento das crianças é a escola buscar fazer com que os pais compreendam que a presença deles é imprescindível para os bons resultados na educação de seus filhos e que encorajá-los e ensiná-los a desenvolver a responsabilidade de cumprir com seus deveres escolares é algo que fará toda a diferença no percurso e trajetória escolar de seus pequenos e pequenas, mas que, contudo, não cabe a eles fazerem as lições pela criança.
A lição de casa é uma responsabilidade da escola, de profissionais da educação que devem estabelecer previamente quais os resultados e objetivos pretendem alcançar com as atividades propostas. Qual, em resumo, deve ser o sentido pedagógico daquela lição de casa.
Muito mais do repassar, rever ou praticar as habilidades e competências exigidas nas aulas, o momento de realização da lição de casa deve ser encarado, por pais, professores e estudantes como um momento que proporciona o desenvolvimento da autonomia, levando-os a refletir sobre a sua própria formação.
Para além de acertos e erros (que devem ser encarados como parte natural do processo de ensino e aprendizagem), o momento de realização da lição de casa deve ser encarado como um espaço propício para o desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes, objetivo final de todo ato educativo: proporcionar às crianças e adolescentes que eles sejam capazes de mobilizar os conteúdos, as ferramentas, habilidades e competências do que foi trabalhado em sala de aula para que eles possam, com autonomia e reflexão, construir seus próprios caminhos no que concerne à busca e estabelecimento do conhecimento.
Finalmente, para que as crianças e adolescentes possam se interessar e ter uma visão positiva da lição de casa, é importante que escola e família tenham clareza da importância desse momento, mostrando-se envolvidos e parceiros nesse processo, sem transformar esse momento em um espaço para castigos ou punições. A escola deve, dentre tantas outras atribuições, ensinar o indivíduo a aprender. E aprender se aprende estudando, tornando-se agente de seu próprio processo de aprendizagem. É dessa forma que acreditamos na potência da lição de casa, como espaço e possibilidades para que crianças e jovens possam aprender a aprender.
Na Educare, professores, pais e educadores podem contar com uma equipe pedagógica que tem essa visão em mente: aprender é um caminho de desafios, mas que pode e deve ser muito prazeroso e divertido. Conte conosco nessa empreitada.
Sabrina Ferrazoni Superibi – Professora da Equipe Educare.

